Imagina o cenário, se é que já não o vivenciou, a diretoria da sua empresa passa meses desenvolvendo um novo posicionamento de marca e uma estratégia que vai mobilizar toda a empresa para colocar em prática. São semanas de reuniões, investimentos em consultorias e horas de apresentações. Aí chega o grande dia do lançamento pra quem vai fazer o plano acontecer: o time. Logo cedo todo mundo recebe um e-mail com um assunto sem graça e no corpo do e-mail um texto enorme falando sobre a novidade e um link de pdf com mais explicações, gráficos e imagens. O resultado a gente já conhece: quase ninguém vai abrir, e quem abrir vai dar um scroll e pular até o final. O time não se engaja e a mensagem não é passada. E dias depois as lideranças tentam entender por que o time não engajou.

Esse erro acontece por acharem que o colaborador, assim que pisa na empresa, vira uma chave substituindo o comportamento pessoal pelo profissional. Mas esquecem, que a pessoa que senta na cadeira pra trabalhar é a mesma que, no final de semana, está confortável no sofá assistindo filmes impecáveis e maratonando séries, ou mesmo rolando o feed das redes sociais e sendo impactado por publicidades maravilhosas que a convence comprar até o que não precisa, e ao mesmo tempo, passa com um rolar do dedo o que julga ser chato. O colaborador sabe o que é uma boa comunicação, e no fundo, se você não souber se comunicar com ele, também vai pular os SEUS anúncios.

Como de costume, o endomarketing sempre ficou no final da lista orçamentária de uma empresa. Enquanto as campanhas para o público externo ganham grandes investimentos, agências premiadas, roteiros cinematográficos e influenciadores, a comunicação interna segue no piloto automático. Esse abismo é um recado claro para o time, se a comunicação interna é largada, o entendimento é que o assunto não importa.

Para mudar esse jogo e engajar as pessoas de verdade, a empresa precisa entender que o endomarketing não é só um canal de circulares do RH, e sim uma ferramenta estratégica de valorização do colaborador e motivação.

Para comunicação interna ser assertiva, precisa ser trabalhada como a comunicação externa. Um comunicado pesado, seja a divulgação de uma meta, uma virada de cultura ou lançamento de benefícios, faz necessária a criação de um conceito claro, um bom texto, uma identidade visual impactante e claro, muita CRIATIVIDADE.

Se a pauta é importante para o negócio, vamos criar uma marca única para ela. Vamos buscar referências no universo pop, trabalhar com figuras que as pessoas se identifiquem. Isso dá peso e desperta a curiosidade. Tratar a comunicação interna com o mesmo apetite da externa, deixa de ser um comunicado obrigatório e passa a ser algo que o colaborador queira consumir.

Novas formas de comunicação surgem toda semana, por que continuar insistindo no e-mail quilométrico ou em um cartaz escrito que ninguém vai ler? A ideia é sair do óbvio, em vez de entregar um manual de conduta com diversos parágrafos, podemos produzir uma minissérie de vídeos rápidos. Ao invés de usar apenas um cartaz padrão no mural, ativações físicas e interações podem ser feitas nas áreas comuns da empresa.

Hoje existe um ganho invisível muito forte, o orgulho de pertencer. As pessoas têm orgulho de trabalhar em um lugar que se preocupa com ela, quer compartilhar os acontecimentos da empresa no Linkedin, mas só fará isso se o visual e a comunicação for muito atraente, O endomarketing bem-feito transforma o time no principal embaixador da marca.

Com isso, o sucesso da empresa depende do bem-estar destas pessoas e também do entendimento delas sobre o negócio. Um time bem informado, que entende as metas, faz do endomarketing uma das estratégias mais poderosas no mercado. Por isso, investir em boas histórias, em um visual de alto nível e textos claros para o público interno não é um peso ou verba jogada fora. É garantir que, se você quer que o cliente final compre a sua ideia, o seu time tenha comprado primeiro.